sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sócrates pede maioria absoluta nas legislativas

Discurso de abertura do congresso do Partido Socialista

José Sócrates voltou a falar das campanhas negras no discurso de abertura do congresso do PS.

Sócrates diz que em democracia é o povo que decide quem governa e não os directores dos jornais e das televisões.

O secretário geral pediu maioria absoluta e disse que no partido não há excluídos, perseguidos ou silenciados.

Sócrates pede maioria absoluta nas legislativas

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Congresso Nacional 2009 - Fotos


Fotos da autoria do Alberto Helder

Partido Socialista - Uma recentragem à esquerda?

O XVI Congresso do Partido Socialista é um facto político de grande importância não só pelo facto de estar no governo, mas também porque estamos no limiar de um novo ciclo político, realizando-se durante este ano três actos eleitorais decisivos para o futuro do País.

Como defendi aqui cabe ao PS a enorme responsabilidade de continuar a merecer, em muitos casos recuperar, a confiança dos eleitores, quer pela sua acção governativa, quer pelas políticas que defina para este novo ciclo político.

Disse também que não devemos ter ilusões, sem o Partido Socialista a esquerda não marcará o próximo ciclo político. Se o Bloco de Esquerda conseguir retirar a maioria absoluta ao Partido Socialista a única coisa certa é que teremos piores políticas e menos progressistas do que se o PS tiver maioria absoluta.

O Bloco de Esquerda ao romper a coligação com o PS na Câmara de Lisboa e a retirar a confiança política a José Sá Fernandes, sem qualquer razão válida, deu um sinal claro de que a preocupação são apenas alguns ganhos eleitorais e não que a esquerda governe Lisboa e prossiga as políticas que a coligação contribuiu para promover, como foi a aprovação do Plano Verde para Lisboa ou a resolução, através do tribunal arbitral, da situação dos trabalhadores precários.

A moção política “PS: A Força da Mudança” apresentada por José Sócrates, que podem ler aqui, é uma resposta positiva à necessidade de formular políticas que respondam à crise, inscrita na tradição do socialismo democrático, na qual reconheço muitas das ideias e propostas que apoiei ou defendi em anteriores congressos do PS. Subscrevo, sem hesitar a afirmação de que assistimos “à derrota da lógica do pensamento único” e que: “O mundo acaba de assistir á clamorosa derrota do pensamento político neoliberal. A ideologia do mercado entregue a si próprio, sem Estado sem regulação capaz, e a especulação desenfreada nos mercados financeiros são os responsáveis principais pela profunda crise que se abateu sobre toda a economia mundial…. Não pode ser resolvida recorrendo aos princípios, às práticas e às políticas que a provocaram. É preciso responder com mais regulação e com firme defesa do interesse público.” Considero também muito positivo que se defenda que a Europa: “deve tomar as iniciativas necessárias à eliminação, à escala global, das zonas de privilégio e excepção que na prática funcionam, como os off-shores, como indutores de opacidade, à especulação e evasão fiscal”.

A ideia de Estado Estratega, que me é cara, é afirmada, quando se refere que: “O PS é partidário da economia de mercado e defensor do papel estratégico do Estado democrático, com capacidade reguladora, mas adversário do proteccionismo e do colectivismo”.

Recomendo a todos a leitura da moção. Mesmo que se não concorde com todas as análises e propostas, é manifesto que se trata de um texto político de referência.

Não bastam, contudo, boas propostas, o Partido Socialista tem demonstrar de forma inequívoca, na sua prática interna ser um partido inclusivo, que premeia a qualidade e não a subserviência, que aceita avaliar o resultado das políticas, que não confunde a crítica interna, com o confronto parlamentar.

Deve também ter por preocupação responder às angústias e às esperanças dos cidadãos particularmente dos que são mais vulneráveis neste momento face à crise. É tendo em contas as pessoas, que sempre defendemos que devem estar em primeiro lugar, que devemos definir racionalmente, as prioridades da nossa agenda política. Trata-se de unir esforços e fazer convergir vontades da forma mais alargada possível e não dividir a nossa base social de apoio natural.

Este é o momento de procuramos construir não qualquer forma de unanimismo, e é positivo que tenham sido apresentadas outras moções subscritas respectivamente por Fonseca Ferreira e por António Brotas, que podem ler respectivamente, aqui e aqui ou que se façam leituras críticas da moção apresentada por José Sócrates, como a de Manuel Alegre aqui, mas temos todos a obrigação de contribuir para a unidade necessária sem a qual não conseguiremos enfrentar com sucesso os próximos desafios eleitorais. É preciso mais cidadania também no interior do Partido Socialista, que se não confunde com o apoio acrítico a todas as medidas e propostas, nem com uma atitude de sistemática desconfiança relativamente à acção governativa, mas que exige que se apoie aquilo com que se concorda e discorde do que consideramos errado ou mal aplicado.

Se o fizermos estaremos a contribuir para uma necessária recentragem do Partido Socialista à esquerda, a afirmar a actualidade do socialismo democrático face à crise, e mereceremos ter de novo a confiança de uma grande maioria dos portugueses, assegurando as condições para que o PS continue a ser a força da mudança.

José Leitão

Congresso Nacional 2009 - Mensagem de José Sócrates

1. Os militantes do Partido Socialista elegeram-me para um novo mandato como Secretário-Geral. É uma prova de confiança que desejo agradecer. É uma responsabilidade que assumo plenamente.

Quero saudar também todos os delegados eleitos. Eles são a certeza de que o próximo Congresso reunirá todo o partido, num debate de ideias e na escolha colectiva da sua orientação política.

Esta campanha eleitoral interna honrou as melhores tradições do Partido Socialista. E não foram só os militantes do partido, mas também os simpatizantes e os independentes que participaram e se envolveram nesta campanha. O PS é hoje um partido unido, um partido forte e um partido aberto à sociedade. O PS afirmou-se como um partido portador das ideias e propostas de acção, iniciativa, reforma e progresso de que o País precisa. O PS é a força da mudança em Portugal, por Portugal.

2. Encaro a reeleição para Secretário-Geral.do PS como uma responsabilidade. Responsabilidade perante os membros do partido; responsabilidade perante os independentes e as forças da sociedade civil que colaboram com o PS, e, sobretudo, uma responsabilidade perante os Portugueses.

Assumo a responsabilidade perante os socialistas. Mais uma vez provámos que somos nós quem lança as ideias políticas que motivam e mobilizam os nossos concidadãos. Julgo que o País percebeu bem a nossa mensagem: É tempo de responder com determinação e rigor à crise económica e é tempo de prosseguir com as reformas modernizadoras. Não é tempo de aventuras, demagogias ou populismo. É tempo de estabilidade, sentido de Estado, responsabilidade, iniciativa.

Assumo também a responsabilidade perante todos os independentes que têm colaborado com o PS, vindos dos sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa. E quero dizer-vos, que o PS se orgulha de contar convosco. O PS conta com as vossas ideias, conta com a vossa energia, com o vosso olhar crítico, com a vossa disponibilidade para o interesse público e para o bem comum. Logo após o seu Congresso, o PS lançará um grande debate nacional, aberto e público, no quadro do movimento Novas Fronteiras, para a elaboração da plataforma eleitoral com que nos apresentaremos às próximas eleições.

Assumo, enfim, a responsabilidade perante todos os Portugueses. Sei que lidero um partico-chave da nossa democracia: Um partido que se honra de servir o seu País nos bons e nos maus momentos. Um partido responsável que assume um projecto de modernização para Portugal.
A nossa linha de rumo é clara: responder à crise e prosseguir com as reformas. Os portugueses não confiam em quem apenas protesta contra a crise.

Os portugueses querem que o País saia da crise. Para isso é preciso visão e prioridades claras:

1) Aumentar o investimento público – nas escolas, na energia, nas infra-estruturas Tecnológicas. Porque o investimento público cria emprego e dinamiza toda a economia.

2) Reforçar as políticas activas de emprego, promovendo a contratação de jovens e de desempregados, favorecendo os estágios profissionais, aumentando a protecção no desemprego.

3) Apoiar as empresas estabilizando o sistema financeiro, facilitando o acesso ao crédito, reduzindo os impostos e contribuições, aquelas que investem e mantêm o emprego.

4) Reforçar o apoio público às famílias, com o aumento do abono de família, com o aumento da acção social escolar, com a criação do passe escolar, com aumentos reais de salários na administração pública, com o aumento significativo do salário mínimo, com a redução dos encargos com a habitação.

Esta é a linha de rumo do PS. E o que nos propomos fazer é reforçar esta linha de rumo.

O nosso compromisso é com a modernização do País – e por isso propomos os doze anos de educação para todos. O nosso compromisso é com a satisfação das necessidades das populações – e por isso propomos a extensão da rede social de apoio às famílias e das redes de cuidados de saúde. O nosso compromisso é com uma economia mais sólida – e por isso propomos uma regulação pública para os mercados mais transparente e mais eficaz. E, sobretudo, o nosso compromisso é com a justiça social e o combate às desigualdades – e por isso propomos uma reforma fiscal capaz de redistribuir melhor o rendimento a favor das classes médias.

Foi com base nestas ideias que fui eleito Secretário-geral do Partido Socialista. Sinto-o como uma honra. Sinto-o como uma demonstração de confiança dos meus camaradas, a que procurarei corresponder com o melhor das minhas forças. Mas sinto-o sobretudo como uma renovada responsabilidade perante os meus concidadãos.

Em tempos difíceis como estes, a responsabilidade mede-se pela capacidade de agir, de recusar aventuras e de ser rigoroso e determinado. Eis o meu compromisso: iniciativa, determinação, responsabilidade. A bem de Portugal, a bem dos Portugueses.

1. Os militantes do Partido Socialista elegeram-me para um novo mandato como Secretário-Geral. É uma prova de confiança que desejo agradecer. É uma responsabilidade que assumo plenamente.

Quero saudar também todos os delegados eleitos. Eles são a certeza de que o próximo Congresso reunirá todo o partido, num debate de ideias e na escolha colectiva da sua orientação política.
Esta campanha eleitoral interna honrou as melhores tradições do Partido Socialista. E não foram só os militantes do partido, mas também os simpatizantes e os independentes que participaram e se envolveram nesta campanha. O PS é hoje um partido unido, um partido forte e um partido aberto à sociedade. O PS afirmou-se como um partido portador das ideias e propostas de acção, iniciativa, reforma e progresso de que o País precisa. O PS é a força da mudança em Portugal, por Portugal.

2. Encaro a reeleição para Secretário-Geral.do PS como uma responsabilidade. Responsabilidade perante os membros do partido; responsabilidade perante os independentes e as forças da sociedade civil que colaboram com o PS, e, sobretudo, uma responsabilidade perante os Portugueses.

Assumo a responsabilidade perante os socialistas. Mais uma vez provámos que somos nós quem lança as ideias políticas que motivam e mobilizam os nossos concidadãos. Julgo que o País percebeu bem a nossa mensagem: É tempo de responder com determinação e rigor à crise económica e é tempo de prosseguir com as reformas modernizadoras. Não é tempo de aventuras, demagogias ou populismo. É tempo de estabilidade, sentido de Estado, responsabilidade, iniciativa.

Assumo também a responsabilidade perante todos os independentes que têm colaborado com o PS, vindos dos sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa. E quero dizer-vos, que o PS se orgulha de contar convosco. O PS conta com as vossas ideias, conta com a vossa energia, com o vosso olhar crítico, com a vossa disponibilidade para o interesse público e para o bem comum. Logo após o seu Congresso, o PS lançará um grande debate nacional, aberto e público, no quadro do movimento Novas Fronteiras, para a elaboração da plataforma eleitoral com que nos apresentaremos às próximas eleições.

Assumo, enfim, a responsabilidade perante todos os Portugueses. Sei que lidero um partico-chave da nossa democracia: Um partido que se honra de servir o seu País nos bons e nos maus momentos. Um partido responsável que assume um projecto de modernização para Portugal.
A nossa linha de rumo é clara: responder à crise e prosseguir com as reformas. Os portugueses não confiam em quem apenas protesta contra a crise.

Os portugueses querem que o País saia da crise. Para isso é preciso visão e prioridades claras:

1) Aumentar o investimento público – nas escolas, na energia, nas infra-estruturas Tecnológicas. Porque o investimento público cria emprego e dinamiza toda a economia.

2) Reforçar as políticas activas de emprego, promovendo a contratação de jovens e de desempregados, favorecendo os estágios profissionais, aumentando a protecção no desemprego.

3) Apoiar as empresas estabilizando o sistema financeiro, facilitando o acesso ao crédito, reduzindo os impostos e contribuições, aquelas que investem e mantêm o emprego.

4) Reforçar o apoio público às famílias, com o aumento do abono de família, com o aumento da acção social escolar, com a criação do passe escolar, com aumentos reais de salários na administração pública, com o aumento significativo do salário mínimo, com a redução dos encargos com a habitação.

Esta é a linha de rumo do PS. E o que nos propomos fazer é reforçar esta linha de rumo.

O nosso compromisso é com a modernização do País – e por isso propomos os doze anos de educação para todos. O nosso compromisso é com a satisfação das necessidades das populações – e por isso propomos a extensão da rede social de apoio às famílias e das redes de cuidados de saúde. O nosso compromisso é com uma economia mais sólida – e por isso propomos uma regulação pública para os mercados mais transparente e mais eficaz. E, sobretudo, o nosso compromisso é com a justiça social e o combate às desigualdades – e por isso propomos uma reforma fiscal capaz de redistribuir melhor o rendimento a favor das classes médias.

Foi com base nestas ideias que fui eleito Secretário-geral do Partido Socialista. Sinto-o como uma honra. Sinto-o como uma demonstração de confiança dos meus camaradas, a que procurarei corresponder com o melhor das minhas forças. Mas sinto-o sobretudo como uma renovada responsabilidade perante os meus concidadãos.

Em tempos difíceis como estes, a responsabilidade mede-se pela capacidade de agir, de recusar aventuras e de ser rigoroso e determinado.

Eis o meu compromisso: iniciativa, determinação, responsabilidade.

A bem de Portugal, a bem dos Portugueses.

José Sócrates

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Congresso Nacional 2009

Eleições para o Congresso Nacional
13 de Fevereiro de 2009

Secretário Geral
José Sócrates (lista A) 151 votos
Brancos 9 votos
Nulos 6 votos
Inscritos 690 militantes
Votantes 166 militantes

Delegados ao Congresso
Lista A 106 votos (5 delegados)
Lista S 54 votos (3 Delegados)
Brancos 3 votos
Nulos 3 votos
Inscritos 690 militantes
Votantes 166 militantes

DNMS – Presidente Conselho Político
Lista A 52 votos
Brancos 7 votos
Nulos 3 votos
Inscritos 267 militantes
Votantes 62 militantes

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Congresso Nacional 2009 - Lista A

Lista A
Candidatos a Delegados ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista pela Secção de Benfica e São Domingos de Benfica

Efectivos
1. Inês Drummond
2. José Leitão
3. Celeste Correia
4. Ricardo Saldanha
5. Rita Neves
6. António Catraia
7. Manuela Gonçalves
8. João Boavida

Suplentes
1. João Pinheiro
2. Cláudia Miranda
3. Carlos Cardoso
4. Hernâni Silva
5. Natália Umbelina
6. Noémia Summavielle Freitas
7. Alfredo Alves
8. Nuno Godinho de Matos

Congresso Nacional 2009 - Lista S

Lista S
Candidatos a Delegados ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista pela Secção de Benfica e São Domingos de Benfica

Efectivos
1. Arnaldo Silva
2. Laurentina Santos "Tininha"
3. Vítor Vasques
4. Ana Varela
5. Elisa Vaz
6. António Melo
7. Maria Natália Cunha
8. Orlando Baptista
9. Tomaz Leiria Pinto

Suplentes
1. Júlia Maranha das Neves
2. José Neves
3. Arminda Pacheco
4. Rafael Lucas Pereira
5. Duarte Alcântara
6. Fernando Pinto
7. Alice Corvina
8. Mark Kirby
9. Guilhermino Rodrigues

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Debate sobre as Moções Globais de Estratégia

Caros Camaradas,


Num momento especialmente relevante para o rumo do PS, as secções de Carnide, Lumiar, Benfica e S. Domingos de Benfica organizam um debate entre as três moções globais ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista:

· A Força da Mudança, cujo primeiro subscritor é José Sócrates
(Orador: João Tiago Silveira)
· Democracia e Socialismo, cujo primeiro subscritor é António Brotas
(Orador: Raquel Reis)
· Mudar para Mudar, cujo primeiro subscritor é António Fonseca Ferreira
(Orador: Rómulo Machado)

O debate dirigido aos militantes irá ter lugar no dia 11 de Fevereiro (4ªfeira), às 21:00 na Sede do PS Benfica – Rua Dr. José Baptista de Sousa, nº13-A.

Contamos com a sua presença.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Não à xenofobia, Sim aos direitos humanos

A crise, para além da destruição de empregos que acarreta, o que põe em causa o direito ao trabalho de muitos cidadãos, serve também de pretexto para despedimentos injustificados, causando mais desemprego, ansiedade e mal-estar.
A crise é um contexto fértil para todas as manipulações, para tudo o que contribui, parafraseando um verso de Sophia de Mello Breyner Andresen, para tornar as almas mais pequenas, ou mais cruamente para todas as derivas populistas, que procuram fazer avançar a sua agenda racista e xenófoba, ou se resignam a ela por falta de iniciativa política e social.
É nos momentos de crise que se torna ainda mais grave transigir sobre os princípios democráticos e que temos de nos bater como cidadãos pelos direitos de todos, nacionais ou estrangeiros.
Os recentes protestos e greves selvagens contra a contratação de estrangeiros, emigrantes portugueses e italianos, em dezenas de refinarias de petróleo, terminais de gás e centrais eléctricas, são um sinal grave, que não teve a resposta rápida e firme que era de exigir do governo britânico e dos poderosos sindicatos britânicos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmou, de imediato: “Essa tentativa de discriminação é absolutamente inaceitável para o governo português”.
Acrescentou: “Queremos enfatizar a absoluta responsabilidade que os governos têm de assumir de evitar uma deriva proteccionista, xenófoba, nacionalista, que, se não for travada muito rapidamente por iniciativas muito fortes dos governos, nos pode arrastar para uma crise ainda maior”.
O princípio “british jobs for british workers” não é apenas é criticável porque as vítimas são, neste caso, trabalhadores comunitários, portugueses e italianos, violando por isso frontalmente a legislação comunitária. Temos também de rejeitar a discriminação em razão da nacionalidade na contratação de qualquer trabalhador, que se encontre legalmente num país. A invocação de uma preferência nacional ou comunitária na contratação de trabalhadores, legalmente residentes, para justificar uma discriminação em razão da nacionalidade, tem de ser considerada como uma forma de discriminação racial, como prevê a legislação portuguesa.
Da Itália de Berlusconi, só vêm más notícias e maus exemplos em matéria de imigração e direitos humanos. A Itália tornou-se um país incapaz de gerir os fluxos migratórios, mas a opção não pode ser pôr em causa a dignidade e os direitos humanos mais elementares dos imigrantes. A recente aprovação pela maioria do Senado italiano, com o voto favorável de 156 senadores da coligação de Berlusconi, de uma emenda às leis de segurança interna para que os médicos denunciem os imigrantes ilegais que acorrem aos serviços de saúde representa a ultrapassagem de um limiar intolerável.
È uma lei que rasga os princípios deontológicos da ética médica, brutalmente desumana e estúpida, que aplica a todos os imigrantes ilegais, incluindo às mulheres que, como referiu a senadora Anna Finocchiaro, do Partido Democrático, “vão deixar de ir aos hospitais para dar à luz ou para que os seus filhos sejam tratados” (Público, 6 de Fevereiro, de 2009). Os imigrantes “vão preferir a morte `à expulsão” avisou Jean-Leonard Touadi, único deputado negro italiano, nascido no Congo.
Estes sinais evidenciam que os valores e os direitos humanos nunca estão garantidos de forma irreversível em qualquer país, que a barbárie, a regressão política e histórica são sempre possíveis se a inércia dos democratas o permitir.
A batalha contra estas medidas, discursos e atitudes, não é exclusiva de ninguém. Tudo isto faz emergir novas linhas de clivagens, que não recobrem sempre as naturais divisões entre esquerda e direita. As novas lutas pela qualidade da democracia exige novas convergências entre todos os democratas, sejam laicos, cristãos ou de outras confissões religiosas, na defesa dos direitos humanos de todos.
Temos que recusar, por exemplo, que o exercício dos direitos humanos básicos e fundamentais, como é o direito à saúde, possa ser subordinados a qualquer condição de estatuto legal, preferência nacional, ou comunitária.
Para vencer a crise económica não são suficientes respostas económicas, é preciso fazê-las acompanhar de maior coesão social, do respeito intransigente pela dignidade e pelos direitos humanos de todos.
José Leitão
Via Inclusão e Cidadania

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Lisboa capital - Coração da lusofonia e cidade global

As cidades disputam de forma cada vez mais intensa o seu lugar na nova geografia internacional, aspiram a ser cidades globais. Para ser uma cidade global, Lisboa terá realizar com eficácia a sua função de capital relativamente a Portugal, e potenciar as oportunidades que resultam de ser o coração da lusofonia. Estando em curso em http://cultura.cm-lisboa.pt/ uma reflexão sobre a vocação capital e internacional da cidade, no quadro da definição de Estratégias Para a Cultura em Lisboa, quero deixar o meu contributo.
A capitalidade exige que Lisboa não seja apenas a sede dos órgãos de soberania, mas que a cidade esteja articulada, com rapidez e comodidade, com todo o País, através do transporte viário e ferroviário, que esteja ligada ao mundo pelo porto e por um aeroporto, sem esquecer as outras formas de comunicação potenciadas pelas novas tecnologias. Tem de estar também em estreita conexão com a riqueza da diversidade da criação cultural nas diferentes cidades e regiões do País, incluindo os Açores e a Madeira e contribuir para a sua circulação a nível nacional e internacional.
Alejandro Portes, grande sociólogo contemporâneo tem sublinhado que: «O novo espaço transnacional, marcado pela presença das cidades globais, é criado por fluxos sustentados de capital, tecnologia, informação (…) e pessoas» (in Estudos Sobre As Migrações Contemporâneas, Lisboa, ed. Fim o Século, 2006, p.38).
Devemos por isso valorizar tudo o que possa contribuir para colocar Lisboa nos mapas internacionais da ciência, da cultura, para ancorar Lisboa na economia global.
Lisboa já não é uma cidade de industrias tradicionais, de que as inúmeras chaminés são um testemunho a preservar em termos de arqueologia industrial, mas tem de desenvolver novas actividades económicas que sejam clusters em termos de desenvolvimento económico, especializações em áreas científicas, nomeadamente nas ciências da saúde, centros universitários de excelência, indústrias culturais, designadamente, moda, design, vídeo e cinema.
Tem de saber valorizar as sedes de organizações internacionais que nela se situam, associando essa presença à sua condição de cidade cosmopolita. A instalação da Agência Marítima Europeia é uma oportunidade que não pode ser perdida para a tornar um grande pólo europeu de actividades de investigação e regulação dos oceanos.
Deve também valorizar o facto de ser a sede de Fundações privadas, que têm um papel destacado na promoção da cultura, e da ciência ou na acção humanitária a nível internacional, como, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian aqui, ou a Fundação Champalimaud, aqui ou outras instituições como o Centro Nacional de Cultura aqui.
Os imigrantes que nela vivem e trabalham representam uma outra oportunidade para o desenvolvimento da cidade devido ao contributo que dão para a demografia, para a vida económica e cultural, Podem, além disso contribuir para diversificar e densificar as relações de Lisboa com os seus países de origem, valorizando-a como cidade global, como uma grande metrópole cosmopolita.
Lisboa deve, aliás, empenhar-se na atracção de estudantes internacionais, designadamente, estudantes Erasmus, de profissionais qualificados, de artistas em processo de criação, que potenciem o seu cosmopolitismo e reforcem a sua competitividade em termos internacionais.
Tem de ser cada vez mais, uma cidade competitiva e dinâmica, integrada nas grandes redes de circulação de pessoas, de informação e mercadorias.
O caminho para ser uma cidade global passa por ser cada vez mais o coração do mundo lusófono. Lisboa é hoje o centro de uma vasta produção cultural afro-luso-brasileira, que é divulgada para todo o mundo de Língua portuguesa, graças às editoras, mas também através da RDP ÁFRICA aqui, da RTP África aqui, da RTP Internacional aqui, onde se afirmaram internacionalmente criadores como José Eduardo Agualusa aqui e Ondjaki, aqui.
Devemos por isso ter em conta, que é em Lisboa, que está instalada a sede da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), como podem ver aqui.
É também a sede da UCCLA -União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas, aqui de que a Câmara de Lisboa é membro fundador. Seria muito bom que fosse capaz de promover uma Rede de Cidades Lusófonas, que funcionasse como uma alavanca para práticas e políticas que conduzam à capacitação, à melhoria do bem-estar e da prosperidade das pessoas abrangidas.
Cada cidade tem o seu caminho para se tornar uma cidade global, No caso de Lisboa é partindo do que já é, a capital de Portugal, coração da lusofonia, uma cidade tolerante e ecuménica, com uma luz magnífica e uma população calorosa e generosa, que poderá ser a capital Atlântica da Europa, uma cidade global.
José Leitão