domingo, 18 de janeiro de 2009

Sócrates recandidata-se à liderança do partido e pede maioria absoluta.

«O secretário-geral do PS, José Sócrates, justificou a sua terceira candidatura à liderança do partido com o argumento do «sentido da responsabilidade» em defesa de um projecto de esquerda democrática e moderada
José Sócrates falava na apresentação da sua moção de orientação política para o congresso do PS, entre 27 de Fevereiro e 1 de Março, em Espinho, intitulada PS: a força da mudança.
No Centro Cultural de Belém, na plateia, estavam o presidente do PS, Almeida Santos, o coordenador da moção, António Costa, bem como vários dirigentes do PS, membros do Governo e o ex-ministro da Saúde Correia de Campos.
Perante cerca de três centenas de pessoas, na sua maioria militantes socialistas, Sócrates começou por vincar que esta é a terceira vez que se candidata à liderança do PS.
«Esse é o meu dever. Nunca virei as costas à responsabilidade. Não sou daqueles que apenas estão disponíveis quando os ventos estão de feição», declarou. »
Fonte: Lusa/SOL
Consulte a Moção Global de José Sócrates ao XVI Congresso Nacional em http://www.josesocrates.com/.

Hoje, José Sócrates apresenta moção política no CCB

A Comissão Organizadora do XVI Congresso Nacional do Partido Socialista informou que foi apresentada por 6396 militantes a candidatura a Secretário-Geral do PS de José Sócrates, acompanhada da respectiva moção política.
Este Domingo José Sócrates vai apresentar a sua moção política de orientação nacional pelas 18H30 no Centro Cultural de Belém.
A Comissão Organizadora do XVI Congresso Nacional do Partido Socialista confirmou em comunicado que foram igualmente apresentadas duas outras moções políticas de orientação nacional.
Uma, cujo primeiro subscritor é António Fonseca Ferreira apresentada por 204 militantes e outra, cujo primeiro subscritor é António Brotas, apresentada por 103 militantes.
Após a verificação da conformidade dos respectivos processos com as normas estatutárias e com o Regulamento do Congresso, a C.O.C. deliberará, em próxima reunião, sobre a sua validação.
A eleição directa do Secretário-Geral e dos Delegados ao Congresso, tendo por base moções políticas de orientação nacional, terá lugar nos próximos dias 13 e 14 de Fevereiro em 720 assembleias de voto, localizadas no continente, regiões autónomas e países de emigração onde existem estruturas activas do Partido Socialista.

TVNET

Via PS Lumiar

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Debate com o vereador Marcos Perestrello

No dia 21 de Janeiro, pelas 21h30, vamos ter a oportunidade de continuar o nosso ciclo de debates com os vereadores da CML, desta vez com o vereador Marcos Perestrello com os pelouros do Desporto, Obras Municipais e Protecção Civil, este ultimo de principal importância devido á proposta apresentada na Assembleia de Freguesia de São Domingos de Benfica, sobre o Plano Local de Emergência, até agora inexistente na nossa freguesia.
Teremos também a possibilidade de discutir e debater estas e outras questões, na nossa secção , na próxima 4 ª feira, com o vereador Marcos Perestrello

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Partido Socialista e a procura de uma forma justa para a cidade

Tenho defendido que cabe ao Partido Socialista a enorme responsabilidade de continuar a merecer, e em muitos casos recuperar, a confiança dos eleitores, quer pela sua acção governativa quer pelas políticas que defina para o novo ciclo político.
Considero essencial que seja capaz de o fazer, porque sem o Partido Socialista, a esquerda não marcará o próximo ciclo político.
Para quem tivesse alguma dúvida, a estratégia do Bloco de Esquerda para as eleições autárquicas e, particularmente, para Lisboa, não permite continuar a tê-la. Quando António Costa se empenha em criar condições para que seja possível governar Lisboa à esquerda depois das próximas eleições autárquicas, o Bloco de Esquerda apenas se preocupa com estreitas contabilidades eleitorais, mesmo tendo de romper com José Sá Fernandes e fazendo correr o risco de entregar a gestão da cidade à direita mais populista e incompetente que já governou Lisboa.
A necessária renovação da esquerda democrática e socialista não passa apenas pelo Partido Socialista, mas a expressão política do socialismo democrático é e continuará a ser o Partido Socialista, mesmo para quem tem divergências e criticou políticas que têm sido concretizadas.
O Partido Socialista deve ter, contudo, a lucidez de perceber que é necessário abrir o debate à esquerda e que podemos e devemos considerar propostas formuladas aqui, com seriedade, como estas, da responsabilidade de um conjunto de colaboradores do blogue Ladrões de Bicicletas.
A possibilidade de renovar as políticas do Partido Socialista passa por todos os seus militantes, mas a maior responsabilidade é naturalmente do seu secretário-geral, José Sócrates.
Considero positivos os sinais de preocupação com a unidade do Partido Socialista que manifestou na sua recente entrevista à SIC, bem como, a equipa que escolheu para a elaboração da moção que vai apresentar no próximo Congresso do Partido Socialista, constituída por um conjunto de quadros políticos de qualidade, com diversas sensibilidades e trajectórias dentro do Partido Socialista. A escolha de António Costa para coordenar a equipa é particularmente significativa, se tivermos em conta a recente entrevista ao DN, a que me referi aqui.
A crise do capitalismo financeiro tem levado o governo a adoptar medidas e políticas, que tornam mais nítida as diferenças entre as políticas do neo-liberalismo, protagonizado pelo PSD e as defendidas pelo PS que se inserem na tradição do socialismo democrático e da social-democracia.
Se a crise do capitalismo financeiro tornou clara a razão dos que advogam um Estado com maior intervenção na regulação da vida económica e como instrumento crucial de promoção da igualização das condições e oportunidades de vida, não podemos também deixar de estar atentos às alterações em curso na ordem política internacional.
O Partido Socialista tem que defender um papel mais activo e relevante para Portugal na cena política internacional.
Luís Amado deu um contributo fundamental para a definição desse novo papel na abertura do Seminário Diplomático, realizado esta semana. Defendeu segundo refere Luísa Meireles aqui, afirmando que é urgente «abrir novos rumos, definir pontes e estabelecer relações para “se tornar relevante” nos espaços que integra. Pois. É essa a questão fundamental nas relações internacionais, a relevância.
Amado deu mais uma achega: CPLP, mundo em português, agenda transatlântica: E acrescentou-lhe uma novidade: no século XXI, atlantismo quer dizer Atlântico Norte e Sul, América Latina e África. A relevância de Portugal passa por aqui».
Estamos num momento político decisivo e temos que escolher o que consideramos fundamental para a concretização das esperanças legítimas dos portugueses e dos que vivem e trabalham em Portugal, nos tempos difíceis marcados pelo colapso do capitalismo financeiro, privilegiando o que consideramos essencial.
Se há muitas questões sobre as quais não tenho certezas, há, contudo, uma que para mim é uma evidência. Não há semelhança entra as políticas face à crise defendidas pelo Partido Socialista e as que seriam concretizadas pela direita.
Mas não interessa fazer apenas diferente e melhor do que a direita, o Partido Socialista tem de ser mais ambicioso e exigente com a sua acção.
Sophia de Mello Breyner Andresen, no poema “A Forma Justa”, integrado no livro, «Dia Claro», escreveu:
«…Sei que é possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo…»
Não devemos ambicionar menos do que contribuir para a construção da forma justa da cidade.
José Leitão

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O PS - Que políticas para o novo ciclo político?

O facto de estarmos no limiar de um novo ciclo político, com eleições no próximo ano para o Parlamento Europeu, para a Assembleia da República e para as autarquias locais, as diferentes avaliações das políticas públicas do governo socialista, a necessidade de definir novas respostas à esquerda para as rápidas mutações que se estão a verificar a nível financeiro e económico, constituem oportunidades de debates sobre o futuro entre cidadãos, com diferentes compromissos e trajectórias políticas.
A esquerda, apesar das diferenças ideológicas que subsistem, deverá ser capaz de celebrar datas como o 25 de Abril e o 1 de Maio através de iniciativas abrangentes e de se pôr de acordo sobre algumas políticas públicas para o país.
Portugal, apesar das diferentes gerações de políticas de inclusão que têm sido promovidas pelos governos socialistas, quer com António Guterres, quer com José Sócrates, continua a ter elevados níveis de pobreza, e a ser uma sociedade profundamente desigual, em que se reproduzem as diferenças sociais e em que estamos longe de poder dizer, que existe uma efectiva igualdade de oportunidades.
Muito de positivo foi concretizado pelos governos do Partido Socialista em matéria de inclusão social, mas as profundas desigualdades existentes num país com tão baixo nível médio de rendimentos, constituem um desafio essencial para o novo ciclo político. Tem que haver mais igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, independentemente, da sua ascendência, situação económica, condição social ou território de origem.
O Partido Socialista não pode ignorar estes desafios e tem de ser capaz de merecer, de novo, a confiança dos portugueses. Ganhar a confiança passa pelas políticas promovidas pelo governo, mas também pelas políticas para as cidades, pelas propostas para o futuro papel de Portugal na Europa e no Mundo.
O Partido Socialista, envolvido nos desafios da governação, não pode deixar de ter como preocupação alargar o diálogo interno, já que todos os militantes são indispensáveis. Também deve promover o diálogo à sua esquerda, como o fez no passado. Basta ler o blogue Ladrões de Bicicletas aqui ou o que escreve Rui Tavares aqui para constatarmos que esse diálogo pode ser muito estimulante para pensar as respostas às actuais crises.
Iniciativas positivas, como a Fundação Respublica aqui terão de ser mais abrangentes na sua actuação. O debate tem também de passar pelas estruturas internas do Partido Socialista, a todos os níveis. Faz falta, como diz Ana Gomes aqui, «a reorganização da Esquerda dentro do PS para combater o “centrão dos interesses”». O próximo Congresso do Partido Socialista é uma oportunidade para alargar a unidade interna e definir novas e ambiciosas políticas para o novo ciclo político.
Que ninguém se iluda, sem o Partido Socialista, a esquerda não marcará o próximo ciclo político. Ter como objectivo tirar a maioria absoluta ao PS, como foi afirmado por Francisco Louçã, pode permitir alguns ganhos partidários ao BE, mas seria um desastre para os cidadãos portugueses ou imigrantes e para Portugal. Nada prova que o BE venha a estar disponível para fazer maioria com o PS. Nesta matéria não tenho razões para ter o optimismo do meu camarada e amigo Elíseo Estanque aqui. Se a esquerda não for capaz de se entender para governar uma cidade como Lisboa em 2009, muito menos o será para governar o país.
António Costa, numa inteligente e oportuna entrevista ao Diário de Notícias de hoje, afirma que: «Os anos da Coligação por Lisboa, primeiro com Jorge Sampaio e depois com João Soares, foram bons para Lisboa. Tenho pena que tenha acabado…» e acrescenta: «Não serei eu a inviabilizar qualquer solução deste tipo». Interrogado sobre porque é que é impossível às esquerdas unirem-se para governarem o país, diz, com prudência: «Não sei se é, foi!».
O que se verifica é que o BE, em contradição, com as afirmadas vantagens de diálogos à esquerda, rompeu com o vereador Sá Fernandes, cujo contributo tem sido muito positivo para a cidade de Lisboa, designadamente, no Plano Verde e na forma exemplar como foi resolvido o problema dos trabalhadores precários do município. A razão é muito simples. O BE não quer estar ligado ao PS na gestão do município em ano de eleições autárquicas.
A direita está, de momento, politicamente enfraquecida, mas não devemos subestimar a sua capacidade de se reorganizar em Lisboa e no país.
Não existe qualquer semelhança entre as políticas da direita e as políticas dos governos socialistas, mesmo daquelas de que discordámos e continuamos a discordar. Basta ter presente as propostas do PSD e do CDS, designadamente, a privatização da Caixa Geral de Depósitos e a menor intervenção do Estado na economia.
Cabe ao Partido Socialista a enorme responsabilidade de continuar a merecer, e em muitos casos recuperar, a confiança dos eleitores, quer pela sua acção governativa quer pelas políticas que defina para o novo ciclo político.

José Leitão
Via Inclusão e Cidadania

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Assembleia de Freguesia 17/12/2008

EDITAL

CONVOCATÓRIA

Ludgero Gonçalves Queiroz, Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de São Domingos de Benfica, Município de Lisboa, em cumprimento do disposto no artigo 13º, da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, convoca a Assembleia de Freguesia para uma Sessão Ordinária, a realizar 17 de Dezembro de 2008, pelas 21 horas, no Edifício - Sede da Junta de Freguesia, sito na Rua Raul Carapinha, com a seguinte ORDEM DE TRABALHOS:
  1. Análise e votação da Acta da Assembleia de Freguesia de 25 de Setembro de 2008;
  2. Aprovação e ratificação do Protocolo de Colaboração;
  3. Aprovação e ratificação do Aditamento ao Protocolo de Delegação de Competências;
  4. Aprovação das Opções do Plano e da Proposta de Orçamento para 2009;
  5. lnformação do Presidente da Junta relativa ao 4º Trimestre de 2008.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Trapalhadas do PSD

A imagem representa o prédio da Cofina, na freguesia de S. Domingos de Benfica, relativamente ao qual a Assembleia Municipal aprovou, por unanimidade, uma moção em Setembro de 2008, na qual se recomendava, nomeadamente, que o projecto aprovado pela gestão municipal do PSD em 2004, fosse alterado de forma a garantir a qualidade de vida e os direitos dos munícipes residentes no respeito pelo normativo legal aplicável, bem como a realização de uma auditoria a todos os procedimentos do projecto, garantindo a transparência de processos e detectando e corrigindo eventuais irregularidades ou falhas assim, como o apuramento das responsabilidades correspondentes.
O problema tem estado a ser analisado e acompanhado pelo vereador Manuel Salgado.
O prédio da Cofina é mais uma grave trapalhada da responsabilidade do PSD na Câmara Municipal, que agora assobia para o lado como se não fosse responsável por ela.

José Leitão
Deputado Municipal

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Esquecer Timor ?

A visita oficial a Portugal de Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa e Segurança da República Democrática de Timor-Leste, nos passados dias 26 e 27 de Novembro teve como pano de fundo o artigo publicado pelo jornalista e escritor Pedro Rosa Mendes no jornal Público (25.11.2008), intitulado “Timor-Leste, um país insustentável”, que podem ler aqui.
Para muitos milhares de portugueses que se empenharam de diferentes formas na afirmação do direito à independência de Timor-Leste, o resultado do artigo de Pedro Rosa Mendes parece-me ser um pretexto para esquecer Timor, no meio das suas dificuldades e contradições, mais do que uma chamada à realidade ou um simples abandono de uma visão romântica sobre este jovem país.
Pedro Rosa Mendes é um excelente jornalista e escritor, como podem ver aqui, mas isso não significa que o seu texto seja a última palavra sobre Timor-Leste.
Desde há muito que tenho sérias reservas à forma como Timor-Leste tem sido gerido politicamente como podem ver aqui, nunca tive qualquer visão romântica sobre a construção do Estado timorense, mas também rejeito a facilidade com que se decreta que um Estado é um Estado falhado ou um Estado inviável.
Se aplicássemos a países europeus como a Bósnia, o Kosovo, a Albânia, a Macedónia, a Geórgia, os critérios que são adoptados para Timor-Leste poderíamos dizer que eram Estados falhados. Creio que todos eles, apesar das dificuldades que atravessam, são Estados viáveis e penso o mesmo de Timor-Leste.
Como leitor gostaria de saber mais sobre o que se passou nos atentados contra o presidente Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, o que está por detrás das tentativas de alterar as regras do Fundo de Petróleo, sem esquecer que Timor-Leste é um Estado soberano. Nada disto desobriga os amigos de Timor-Leste, cidadãos ou Estados, de continuar a apoiar a consolidação da democracia e o desenvolvimento em Timor-Leste, que, como afirmou Xanana Gusmão, é «um pequeno país, mas que tem tudo para vir a ser grande».
O Estado português não pode ter estados de alma, tem de ler com atenção os sinais de preocupação, mas não hesitar na sua afirmação de que Timor-Leste é um Estado viável e no aprofundar da cooperação com o seu governo e outras instituições legítimas.
Foi positiva esta visita de Xanana Gusmão a Portugal, a que se segue a visita a Timor-Leste de João Gomes Cravinho, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação. A reunião realizada na sede da CPLP, que se refere aqui foi também um passo positivo na ancoragem internacional de Timor-Leste.
Portugal e Timor-Leste manifestaram também durante esta visita o apoio a um eventual pedido de adesão da Indonésia, como observador, à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o que a verificar-se, teria consequências positivas para a inserção regional de Timor-Leste, como podem ler aqui.
Quero manifestar a minha solidariedade a todos os portugueses, que estão em Timor-Leste, empenhados no seu desenvolvimento, e na construção de um Estado de Direito, que persistem no seu trabalho apesar das dificuldades, designadamente, os professores portugueses e os militares da GNR.
Torna-se difícil seguir a partir de Portugal o que se passa em Timor-Leste, e tentar ler com objectividade os acontecimentos.
Para ir acompanhando a evolução da sociedade civil e política timorense, poderão consultar este ou este blogue.
Caberá a cada um seleccionar as fontes que lhe merecem mais crédito, mas é preferível fazer juízos apressados ou até injustos a esquecer Timor-Leste, a quebrar os laços de solidariedade e de interesse mútuo que ligam os dois países.
A nossa resposta à questão que colocámos, é que não queremos esquecer Timor-Leste, as nossas causas não são fugazes e inconsequentes, confiamos na capacidade do povo timorense para construir o seu futuro, e como Luís de Camões escreveu em “Os Lusíadas” consideramos que: «É fraqueza desistir de coisa começada».

Imagem retirada do blogue da Embaixada de Portugal no Brasil aqui, onde se referem acordos recentemente celebrados entre Portugal e Timor-Leste em matéria de educação, que prevêem parcerias com televisões do Brasil.

José Leitão
Via Inclusão e Cidadania

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica: Subsídio Desaparecido

No final do seu mandato, o anterior presidente da Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica, Lipari Pinto, eleito pelo PSD, concedeu um subsídio de 50.000,00€ (cinquenta mil euros) ao Jardim de Infância O Povo, sito no Bairro Grandela, em Lisboa para obras a realizar nas suas instalações...

As obras realizadas neste Jardim de Infância foram orçadas em 42.000,00€, (quarenta e dois mil euros) e foram adjudicadas à empresa BB, (Better Building), empresa que estava a proceder à remodelação no edifício da Junta de Freguesia.

Acontece que o novo Presidente da Junta eleito pelo PSD, Rodrigo Gonçalo, contratou um seu amigo e correligionário de partido, de nome Carlos Vicente para acompanhar e execução das obras na Junta.
O Carlos Vicente, homem de confiança do Presidente da Junta, apresentou-se junto do Presidente da Associação de Moradores, entidade que gere o referido Jardim de Infância a pedir que lhe fossem entregues os 50.00,00€ já recebidos, o que este fez, exigindo, no entanto, o respectivo recibo em como tinha entregue esses 50.00,00€.
Dado que a empresa BB executou as obras que orçou em 42.000,00€ e dado que não tinha recebido nada sobre essas obras, pressionou a Junta de Freguesia, entidade que lhe encomendou a obra, segundo o seu gerente informou o Jornal Público.

O Presidente da Junta de Freguesia, pressionado pelo gerente da empresa BB, solicita ao anterior presidente da Junta Lipari Pinto, à data vereador da Câmara Municipal de Lisboa, com, entre outros, o pelouro da Acção Social, mais um subsídio para aquelas obras no valor de 25.000,00 (vinte e cinco mil euros) para o mesmo efeito, que lhe foi concedido e, ao que se supõe, foram apenas estes 25.000,00€ que a empresa recebeu.

Dado que o caso teve repercussão pública, pois foram publicadas nos dias 14 de Fevereiro e 3 de Março de 2008 amplas reportagens no Jornal Diário “O Público”, os membros eleitos pelo Partido Socialista para a Assembleia de Freguesia de S. Domingos de Benfica tentaram indagar o que se passava. Não obtendo resposta cabal do Presidente da Junta, em conjunto com os leitos pela CDU e Bloco de Esquerda, requereram ao Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia uma Assembleia de Freguesia Extraordinária que se realizou no dia 9 de Abril de 2008.

Nesta Assembleia, os seus membros interrogaram frontalmente o Presidente da Junta de Freguesia sobre o que se passava com o “desaparecimento” do subsídio de 50.000,00€, não se obtendo qualquer resposta do mesmo, preferindo este, pelo contrário, remeter-se a estapafúrdios comentários do género: “os jornais publicam muita coisa que não é verdade”.

Perante esta recusa de esclarecimentos os elementos eleitos pelo Partido Socialista propuseram que fosse criada uma comissão de inquérito, que foi recusada pelo PSD, com maioria na Assembleia de Freguesia.

Isto mesmo titula a noticia publicada pelo Jornal Público no dia 11 de Abril, que pela pena do jornalista José António Cerejo escreve: “PSD de São Domingos de Benfica rejeitou inquérito a desaparecimento de subsídio”.

De salientar que já este jornalista, na reportagem do dia 3 de Março de 2008, titulava a notícia deste modo: “Burla, Freguesia não processou ex-fiscal…..”

Na verdade, até à data, desconhece-se o paradeiro do ex-fiscal, bem como se desconhece o paradeiro dos 50.000,00€. Há como que um “ um manto de nevoeiro” sobre o subsídio e sobre o ex-fiscal, que muito se estranha e lamenta, porquanto estão em causa dinheiros públicos.

SERÁ QUE ALGUMA VEZ O VAMOS SABER?

António Catraia
(Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia de Freguesia de S. Domingos de Benfica)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Estratégias para a cultura em Lisboa

Tenho defendido desde há alguns anos que Lisboa precisa de uma política cultural consequente, não elitista e participada. Pugnando por uma produção cultural com qualidade, há que valorizar as subculturas emergentes, normalmente associados a movimentos artísticos, muito jovens e muito diversos, que por vezes são relegados para uma marginalização que a cidade não pode aceitar.
Uma Lisboa cosmopolita tem de assumir a diversidade e abrir expectativas de vida com qualidade aos que nela habitam.
Considero muito positivo o desafio lançado aos cidadãos de Lisboa pela vereadora Rosália Vargas, responsável pelo pelouro da cultura em Lisboa, para participarem no processo de reflexão estratégica sobre o sector cultural, partindo de uma auscultação de diversos agentes culturais.
Após o diagnóstico, pretende-se desenhar e consensualizar as principais linhas estratégicas de actuação no campo cultural da cidade, definir programas de actuação, envolvendo os diversos actores culturais, económicos e institucionais da cidade para uma actuação comum coerente e consistente.
Pretende-se ultrapassar a situação existente no campo da cultura, em que as decisões eram tomadas sem uma base, de forma casuística e isolada.
Este é um projecto em que todos podem participar, tendo sido criado um sítio na Rede para dar conta das diferentes fases do processo de reflexão estratégica e para que possam dar o seu contributo, cujo endereço é http://cultura.cm-lisboa.pt/.
Uma das realidades que as estratégias para a cultura em Lisboa devem valorizar são as diferentes memórias da cidade, presentes na sua toponímia e inscritas, de diversa forma na vida da cidade, da Rua do Poço dos Negros e da Calçada do Poço dos Mouros aos santos negros da bela Igreja da Graça. Estão anunciadas iniciativas para recordar a presença muçulmana e judaica na vida da cidade, o que é muito positivo, mas não se deverá esquecer também a presença africana, que tem mais de quinhentos anos na cidade, de que Francisco Avelino Carvalho nos fala aqui.
A arte e a cultura podem ser veículos e instrumentos de inclusão social, se ao lado, da valorização de formas culturais profundamente enraizadas na cultura da cidade como o Fado, se criarem oportunidades para outras expressões culturais de qualidade, com que nos vêm enriquecendo os que se têm juntado aos lisboetas, vindos de outros países e/ou de outras regiões do país.
Os equipamentos existentes, designadamente, as pequenas salas de teatro das juntas de freguesia ou do município, para além das salas das colectividades, bem como o espaço público, são insuficientemente utilizados. É possível organizar programações no quadro das quais as expressões de qualidade dos migrantes tenham oportunidade de ser incluídas. Existem condições para que, através de protocolos com as escolas, se disponibilizem estes espectáculos a públicos mais jovens. As manifestações culturais de qualidade são destinadas a todos, não se destinam a públicos separados, como alguns estupidamente continuam a pensar.
Lisboa é, como o foi no passado, nos períodos em que foi uma cidade global, um espaço em que se cruzam cidadãos com diferentes identidades culturais, que vivem e trabalham lado a lado e dialogam entre si. São as pessoas que dialogam, não as culturas.
É uma cidade em que a diversidade cultural não se cristaliza em enclaves étnicos. É por isso uma cidade cosmopolita, que deve saber gerir e valorizar a diversidade. Para dar apenas alguns exemplos, a peça “Vento Leste” da actriz Natasha Marjanovic, sobre a qual podem ler aqui, a música de Nancy Vieira que podem ouvir aqui, são manifestações culturais que transportam memórias imigrantes. A música de Sara Tavares, a que já me referi aqui, que podem ouvir aqui, ou o hip hop de Sam the Kid (Samuel Mira) que podem ouvir aqui, são já expressões de culturas mestiças, que combinam diferentes inspirações de forma desenvolta e original. Todas devem ser consideradas como fazendo parte do património da cidade, mesmo quando a transcendem e permitem estabelecer laços com outra redes de cidades lusófonas, ibero-americanas ou europeias.
Muitos outros exemplos de grande qualidade poderiam ser dados de grupos teatrais, de dança, da literatura, do vídeo ou do cinema.
A diversidade cultural é uma mais-valia para a cidade, faz parte de sua imagem internacional, pode contribuir para projectar os seus grupos culturais e não tenhamos medo das palavras, criar oportunidades para as suas indústrias culturais.
Esperamos que as estratégias para a cultura de Lisboa, ajudem a potenciar e projectar toda a riqueza de criação cultural que se manifesta na cidade, afastando obstáculos burocráticos e dando-lhe visibilidade não só a nível da cidade, mas também a níveis nacional e internacional, contribuindo para a afirmação de Lisboa, novamente, como cidade global.

A imagem reproduz um quadro de Manuela Jardim, pintora, a que me referi aqui.

José Leitão